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English Electric Canberra

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O English Electric Canberra foi um bombardeiro médio a jato, britânico  de primeira geração, fabricado durante a década de 1950. Podia voar a uma altitude  maior do que qualquer outro bombardeiro seu contemporâneo tendo estabelecido o recorde mundial de altitude em 1957 ao atingir os 21430 metros, depois de em 1951 ter sido o primeiro avião a jato a realizar um voo transatlântico sem escalas. Devido à sua capacidade de iludir os primeiros intercetores a jato e por representar um avanço significativo no desempenho quando comparado com os contemporâneos o Canberra tornou-se um produto de exportação popular sendo adquirido por forças aéreas de vários países, incluindo a USAF, que operou por vários anos a versão construída nos EUA sob licença, o Martin B-57 Canberra.

Boeing B-52 Stratofortress

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O B-52 Stratofortress é um bombardeiro estratégico sub-sónico de longo raio de ação, propulsionado por oito motores a jato. Originalmente concebido como substituto do Convair B-36 Peacemaker na função de bombardeamento nuclear e convencional de grande altitude, foi no entanto adaptado no início da década de 1960 para a função de penetração a baixa altitude como forma de contornar a cada vez maior, eficaz e sofisticada defesa aérea da, na altura, União Soviética . 
Iniciou a atividade operacional na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), seu único utilizador, em fevereiro de 1955, e participou em todos os conflitos nos quais os EUA se envolveram, sendo conhecido como BUFF ( acrónimo para Big, Ugly and Fat Fellow). Sessenta anos após o seu primeiro voo e fruto de sucessivas modificações e atualizações, é ainda uma versátil plataforma apta a desempenhar uma grande variedade de missões, muito para além do que os engenheiros responsáveis pelo sua criação e desenvolvimento imaginaram que fosse possível nos finais de 1950. 
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Ano
1955
Pais de Origem
EUA
Função
Bombardeiro estratégico
Variante
G / H
Tripulação
6
Motor
8 x turbojatos Pratt & Whitney TF33-P-3/103
Peso (Kg)
Vazio
83250
Máximo
219600

Dimensões (m)
Comprimento
48,5
Envergadura
56,4
Altura
12,4

Performance (Km)
Velocidade Máxima
1053 (Mach 0.86)
Teto Máximo
15150
Raio de ação
14170 (sem reabastecimento)
Armamento
Até 31500 kg de carga bélica, em várias combinações de armamento numa baía interna e em dois suportes externos sob as asas.
Armas nucleares (na baía interna):
Armas convencionais:
Armas de precisão:
Países operadores
EUA
Fontes
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GALERIA
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YB-52 2º protótipo
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B-52A
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B-52B
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B-52D
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B-52F sobre o Vietname, 1967
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B-52G com misseis de cruzeiro
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HISTÓRIA
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Existiu uma coincidência de eventos e circunstâncias, que proporcionaram o desenvolvimento e a longevidade da plataforma de armas que é hoje em dia o B-52 Stratofortress. Desde a experiência acumulada pela Boeing na produção de bombardeiros pesados até engenheiros e projetistas audaciosos e visionários, passando pelos decisores políticos que ainda não reféns da burocracia dos nossos dias, deixaram o processo de desenvolvimento fluir sem demasiadas interferências. 

Ainda a Segunda Guerra Mundial não tinha terminado e já a liderança militar norte-americana, antecipando um possível conflito com a URSS, inicia a elaboração dos requisitos para uma nova geração de bombardeiros, eliminando as insuficiências do Boeing B-29 Superfortress, nomeadamente o raio de ação e a capacidade de transporte de carga bélica inadequadas. Deste modo o Comando Aéreo de Material (MAC) em janeiro de 1946 solicitou à indústria aeronáutica, propostas para um novo bombardeiro pesado com os seguintes requisitos mínimos entre outros: 
  • Um raio de ação de 8000 km; 
  • Velocidade de 485 km/h em altitude; 
  • Altitude operacional de 10 500 metros e um teto máximo de 11 200 metros;
  • Altitude com apenas metade dos motores operacionais de 5200 metros; 
  • Capacidade para o transporte de uma carga bélica mínima de 4500 kg até aos 8000 kg e máxima de 32 500 kg a distâncias mais curtas; 
  • Tripulação mínima de cinco homens e um número não determinado de operadores de metralhadora de 20 mm, para defesa aérea; 
  • Provisão de espaço para tripulação de substituição composta por seis tripulantes: 
  • Proteção blindada consistente com o peso e a performance, para tripulação, motores, combustível e outros componentes vitais; 
  • Apto a descolar em pistas com o comprimento máximo disponível até 2300 metros, e aterrar em pistas com o comprimento máximo disponível até 1380 metros, com um obstáculo de 15 metros no início e no fim da pista; 
  • Confiabilidade, facilidade e manutenção reduzida, risco de incêndio atenuado, boa visibilidade, recursos modulares, e a simplicidade do projeto, completavam as especificações a alcançar. 
Considerados demasiado ambiciosos e difíceis de atingir, foi permitida alguma latitude na prossecução dos requisitos, sem a qual não haveria qualquer proposta por parte das empresas de construção aeronáutica, mesmo assim foram apenas três as entidades, Boeing Airplane Company, Consolidated Vultee Aircraft Corporation (Convair) e Glenn L. Martin Company que no mês de Fevereiro de 1946 apresentaram uma estimativa de custos e projetos preliminares teóricos, que se aproximavam dos requisitos pretendidos. 
Fases de evolução do projeto


No início de junho de 1946 a Boeing Airplane Company apresenta uma proposta para uma aeronave de asa em ângulo reto, propulsionada por seis turboélices Wright T35, um peso bruto de 165 000 kg e um raio de ação de aproximadamente 5000 quilómetros, designado Modelo 462, o qual foi escolhido e confirmado como o mais promissor para ser concretizado e também o menos oneroso. 

Em outubro de 1946 é assinado com a Boeing o contrato para a construção de uma maqueta em tamanho real, mas ainda no decorrer desse ano a força aérea alterou as especificações iniciais exigindo uma velocidade máxima de 645 Km/h, um alcance de 19000 Km e capacidade de transporte de uma bomba nuclear de 4500 Kg. Em junho de 1947 foram de novo alteradas as especificações e o modelo ate então desenvolvido (Modelo 464-17) já não os satisfazia. Em consequência o projeto praticamente parou, embora a Boeing continuasse a trabalhar numa nova aeronave que satisfizesse as novas exigências, o Modelo 464-29, quase foi cancelado quando em dezembro a força aérea voltou a alterar as especificações exigindo agora uma velocidade máxima de 800 Km/h. Apesar disso a Boeing voltou a apresentar um novo modelo convencional, o Modelo 464-35, depois de ter descartado a hipótese das asas voadora devido aos seus graves problemas de estabilidade (protótipos YB-35 e YB49, desenvolvidos pela Northrop). 
XB-52 aterrando com vento cruzado
fuselagem alinhada contra a direcção do vento e o
 trem de aterragem alinhado com o eixo da pista

Por esta altura foi sugerido a incorporação no modelo de motores de reação. 

Consequentemente em julho de 1948 é apresentado um estudo preliminar (modelo 464-40), que substituiu os motores turboélices por turborreactores Westinghouse J40, mas logo depois em outubro a Boeing optou por um avião completamente novo propulsionado pelos mais recentes e eficientes turborreatores Pratt & Whitney J-57, cujo resultado foi o Modelo 464-49 inspirado no B-47 Stratojet, e que apresentava uma asa em flecha a 35°, oito motores dispostos aos pares, sob quatro suportes sub-alares (dois por asa), um inovador trem de aterragem quadriciclo em disposição dupla, auxiliados por um trem simples na ponta de cada uma das asas para suporte e estabilidade no percurso em terra (taxi-away). 

O protótipo YB-52, o segundo XB-52 modificado com equipamentos mais operacional, voou pela primeira vez em 15 de abril 1952 depois do primeiro protótipo XB-52 ter ficado danificado durante os testes de solo em 29 de Novembro 1951, quando o sistema pneumático falhou durante um teste de pressão total. 

YB-52 em voo
Era uma aeronave de grandes dimensões, desenho convencional, e asas enflechadas num ângulo de 36°, cuja espessura permitiu a instalação de depósitos de combustível no seu interior, suportando cada uma dois pares de motores equidistantes entre si, e na parte exterior, um depósito de combustível externo e um trem de aterragem de proteção que estabiliza a asa em fases críticas como a descolagem, a aterragem e manobras no solo. Cada asa, dividida em cinco secções principais (central, 2 exteriores e 2 interiores), é suportada por duas longarinas longitudinais (frontal e traseira) reforçadas por anéis que ajudam a definir a sua forma, e com os controlos de voo (spoilers, estabilizadores e flaps) colocados ao longo da longarina traseira. 

Como as asas eram quase totalmente utilizadas como depósitos de combustível, o trem de aterragem foi deslocado para a fuselagem. De modo simplificado, consistia numa solução em quadriciclo, composta por dois amortecedores hidráulicos com dois pneus cada colocados à frente do porão de bombas um de cada lado da fuselagem e outros dois com a mesma disposição, imediatamente a seguir à traseira do mesmo porão. Todo o conjunto era ainda formado por um sistema de travagem e um de direcção, controlados electricamente, accionados hidraulicamente e bloqueados de modo mecânico, recolhendo em cerca de 10 a 15 segundos e abrindo em 15 a 20 segundos. 

Uma das particularidades deste conjunto era a possibilidade de, em condições de aterragem com vento cruzado, virar até 20º (graus) a fuselagem para cada uma das laterais, mantendo o trem de aterragem o alinhamento com o eixo da pista. 

B-52B
A fuselagem semimonocoque era composta por uma secção transversal rectangular em torno de quatro longarinas transversais ligeiramente cerceadas e unidas por anéis, com 2,80 m de largura e 3,70 m de altura composta por quatro secções principais. A da frente alojava o cockpit e os postos de contramedidas no piso superior e de navegação no piso inferior. As duas secções centrais comportavam os depósitos de combustível centrais, o trem de aterragem e o compartimento interno de bombas. A secção da cauda alojava a maior parte do equipamento de guerra eletrónica e contramedidas defensivas, bem como um compartimento pressurizado para o operador da torre equipada com quatro metralhadoras Browning M2 de calibre 12.7mm (esta torre viria a ser removidas nas versões posteriores a F). 

O habitáculo da tripulação do YB-52 era em tandem coberto por uma canópia de bolha. Porém esta configuração foi alterada pressão do General Curtis LeMay comandante do SAC (Comando Aéreo Estratégico) para um cockpit com configuração lado-a-lado. Atualmente embora o B-52 seja um avião de grandes dimensões as acomodações da tripulação são constrangedoras. O espaço está dividido em dois pisos em todas as versões, no piso superior naturalmente virados para a frente, estão os assentos ejectáveis destinados ao piloto e copiloto, em posição oposta estão o lugares, também equipadas com assentos ejectáveis destinadas ao operador de equipamentos de guerra electrónica e ao lado deste um lugar livre, que usualmente era ocupado pelo operador da torre armada antes de esta ter sido eliminada, mas que nas versões iniciais até à variante F inclusive, dispunha de um compartimento pressurizado na traseira da fuselagem.
B-52C

A produção iniciou-se em 1954 e terminaria em 1963, tendo neste período sido produzidas 742 aeronaves (excluindo os dois protótipos já referidos), em versões sucessivas que incluíam melhorias cumulativas bem como novos desenvolvimentos tecnológicos e adaptações as novas realidades operacionais. 

A três únicas aeronaves da primeira versão de produção, B-52A, diferiam do protótipo, pela fuselagem frontal redesenhada, mais longa, que acomodava mais aviónicos, e os postos da tripulação numa configuração lado-a-lado, e com um posto adicional para um sexto tripulante Na fuselagem traseira, uma torre de cauda com quatro metralhadoras de 12,7 mm e um compartimento pressurizado para o respetivo operador. Todas estas aeronaves foram entregues a Boeing para teste de voo, sendo uma delas, em 1959, modificada e redesignada para NB-52A para servir de plataforma de lançamento do North American X-15. 

Da versão seguinte, B-52B, a primeira a entar ao serviço da USAF, foram produzidas 50 aeronaves que tinham pequenas melhorias em relação à versão anterior, nos aviónicos e motores que tinham maior impuxo graças a injeção de água. Destes, 27 (RB-52B) foram equipados para poderem transportar e operar um pod de reconhecimento, com recetores rádio K-36, K-38 e camaras T-11, cujos dois operadores foram colocados no piso inferior do cockpit em assentos injetáveis para baixo. 

B-52 usado para lançamento de drones Lockheed D-21
Posteriormente 7 aeronaves B-52B seriam convertidas para a norma B-52C, a versão seguinte cuja produção ascendeu a 35 unidades. Nesta versão foi adicionado um novo sistema de controlo de incendio, MD-9, aumentada a capacidade de combustível e a barriga da aeronave foi pintada com antiflash branco com a intenção de refletir a radiação térmica após uma detonação nuclear. Todos 35 B-52C podiam ser equipados com o pod de reconhecimento, semelhante ao usado no RB-52B. 

A versão seguinte, o B-52D, foi o desenvolvimento para um bombardeiro convencional de longo alcance, que viria a ser amplamente usado na Guerra do Vietname. As 170 aeronaves produzidas foram modificadas no âmbito do programa Big Belly que lhes conferiu um aumento significativo da capacidade de carga bélica, podendo transportar cumulativamente na baia interna e em dois suportes externos nas asas, até 108 bombas convencionais, 84 bombas de 225 kg, ou 42 de 340 kg na baia interna e mais 24 bombas nos dois racks sob as asas (originalmente concebidos para o transporte de mísseis de cruzeiro Hound Dog e equipados com adaptadores de rack I-Beam e um par de vários racks de ejeção) até um total máximo de 31250 kg. Receberam também novos sistemas de contramedidas eletrónicas (ECM) como parte do programa Rivet Rambler, este, estendido às versões seguintes. 

B-52F lançando bombas sobre o Vietname
A partir de dezembro de 1957 entraram em operação os primeiros B-52E. As 100 aeronaves construídas desta versão receberam novos sistemas aviónicos e de navegação que acabaram por ser incluídos nas versões seguintes. 

Os 89 aviões produzidos na versão seguinte, B-52F, foram equipados com motores J57-P-43W com um sistema de injeção de água capaz de proporcionar uma maior pressão do que os modelos anteriores. 

O B-52G foi a versão proposta para prolongar a vida útil do B-52 para colmatar os atrasos no programa Hustler B-58, e acabaria por ser a versão mais produzida com um total de 193 aeronaves. Externamente a versão distinguia-se das anteriores versões por usar um estabilizador vertical mais pequeno, um novo tipo de asa, que embora mantendo as dimensões anteriores era totalmente ocupada por depósitos de combustível integrais, aumentando a capacidade de combustível disponível e consequentemente também o raio de ação sem reabastecimento. Foram ainda introduzidas alterações menores como, o aumento da redoma do nariz, o cone de cauda modificado e a eliminação definitiva dos Ailerons. Internamente a posição do operador de armamento foi revista deixando de estar alojado em compartimento próprio na traseira da aeronave, movendo-o para junto do operador de guerra electrónica, onde podia operar as armas de cauda, em caso de avaria do controlo de tiro AGS-15, por controlo remoto ou circuito interno de televisão. O B-52G foi também a primeira variante habilitada a transportar e lançar o míssil de cruzeiro de primeira geração AGM-28 Hound Dog e também míssil balístico de dois andares lançado por avião (ALBM), GAM-87 Skybolt (esta arma foi entretanto cancelada). 

B-52G com mísseis de cruzeiro AGM-86B
A variante final de produção o B-52H, era semelhante e beneficiava das mesmas modificações estruturais aplicadas nos B-52G tendo sido produzidas 102 aeronaves a partir de 1961. A atualização mais importante é a adoção dos motores Pratt & Whitney TF33-P-3, cujos problemas iniciais de fiabilidade, foram corrigidos entre 1962 e 1964, indo de encontro às pretensões da Força Aérea que pretendia um motor isento de falhas entre cada 600 horas de operacionalidade, uma notória economia de combustível, um raio de ação superior e uma corrida para decolagem inferior em 350 metros comparativamente aos anteriores Pratt & Whitney J57 que equipavam a versão G. Foi ainda substituída a torre armada com quatro metralhadoras Browning M2 , por uma outra orientada pelo sistema de controle de tiro AN/ASG-21 e equipada com o canhão M-61 Vulcan de 20 mm e seis canos rotativos (a torre seria eliminada das aeronaves operacionais entre 1991 e 1994. 

Os programas de reforço estrutural e de modernização dos equipamentos dos B-52 iniciaram-se logo na década de de 1960 e continua até ao presente, conseguindo desde a primeira hora que o B-52 se mantenha como uma aeronave de primeira linha. Entre estas modificações destacam-se: 

O programa ECP-1000 (entre 1959 e 1960), também conhecida como Big Four modification, otimizou a capacidade para efetuar voos a altitudes iguais ou inferiores a 150 metros (alterações estratégicas nas defesas antiaéreas da União Soviética conduziram a alteração do desenho das missões do B-52, para possíveis penetrações a baixa altitude), pela inclusão de um radar de rastreamento do solo e atualização do radar de altitude (altímetro). Introduzidas as alterações para habilitar o lançamento do míssil de cruzeiro AGM-28 Hound Dog e do engodo ADM-20 Quail, foram ainda introduzidos novos e melhorados os existentes, equipamentos de contra medidas electrónicas (ECM) e reforçadas algumas secções na estrutura da fuselagem mais sujeitas a fadiga. Estas modificações foram aplicadas a todas as aeronaves em condição operacional das versões B-52C/D/E/F/G/H. 

Armamento do B-52G/H
Entre 1972 e 1976 a todos os B-52G e H, foram equipados com um sistema de visão eletrônica EVS (Electrooptical Viewing System) AN/ASQ-151, associado a um FLIR (Forward Looking Infra Red - sistema de sensores de varrimento frontal por infravermelhos) Hughes AAQ-6 e um sistema de televisão de baixa luminosidade e alta definição (LLTV - Low Light level Television) Westinghouse AVQ-22, destinados a melhorar substancialmente e de forma segura, a penetração a baixa e muito baixa altitude em ambiente noturno, ou diurno, sob severas condições atmosféricas. A instalação destes sistemas alterou o perfil do bombardeiro com duas bolhas abaixo do nariz. A da esquerda aloja a câmara e sistema EVS e a da direita aloja o sensor FLIR. 

Seguidamente durante a década de 1980, 194 aeronaves dos modelos G e H, foram capacitados para o transporte e lançamento de até doze mísseis de cruzeiro AGM-86 ALCM e posteriormente 82 B-52H voltaram a ser modificados para poder transportar oito mísseis adicionais (um total de 20 misseis). 

A instalação do Sistema LITENING AN/AAQ-28 de busca e rastreio de objetivos, tornou o B52H capaz de monitorizar e disparar contra 12 possíveis alvos em simultâneo, em todas as condições atmosféricas e de visibilidade, uma diversidade de armas de precisão. Apesar de sua idade, o B-52 com esta atualização, tornou-se o único bombardeiro pesado da USAF capaz de executar com eficácia toda a gama de missões no atual e moderno teatro de guerra. 

Manobra de aproximação de um B-52H
Atualmente está proposto a substituição dos oito motores Pratt & Whitney TF33 da atual frota de B-52H, por quatro motores Rolls-Royce RB211 534E-4, que permitiriam incrementar a potencia em cerca de 18%, com redução do consumo de combustível e consequentemente, aumentando o raio de combate das aeronaves sem reabastecimento. Porém os elevados custos deste programa fizeram com que não tenha sido tomada qualquer decisão de implementar ou não o programa. 

Em abril de 2005 foi iniciado o programa B-52 CONECT (Combat Network Communication Technology) destinado a otimizar, integrar/centralizar e imunizar contra radiações eletromagnéticas, resultantes de uma explosão nuclear, o sistema de comunicações, assegurando transmissão de voz e de dados em modo automático (datalink), encriptado e digitalizado, com os centros de comando e controle terrestres e ou aéreos, outras aeronaves e satélites, atualizando em tempo real a situação tática operacional durante uma missão de ataque, permitindo ainda que uma aeronave possa controlar os mísseis de cruzeiro lançados por outras aeronaves, por exemplo, atribuindo-lhe novos alvos . Inclui ainda novos display multi funcionais a cores, sistema interno de comunicações, também apto a operar em ambiente nuclear e uma nova arquitetura do sistema de computação. O primeiro avião foi entregue à força aérea em Agosto de 2011, após a conversão e um extenso e rigoroso programa de testes, esta atualização será aplicada a toda a força operacional dos B-52H. 

Estão em curso desde finais de 2005 em modo faseado 31 atualizações/modificações às atuais 85 aeronaves da frota de B-52H em operação mais nove unidades em reserva que se destinam a estender a vida operacional dos B-52H até 2040. Entre estas incluem-se: 
  • Sistema de posicionamento global (GPS); 
  • Sistema tático de navegação (TACAN); 
  • Sistema integrado de gestão do armamento convencional (ICSMS); 
  • Sistema integrado de comunicações seguras ARC-210; 
  • Integração do míssil AGM-142 Have Nap; 
  • Integração de baterias de elevada fiabilidade e sem manutenção; 
  • Sistemas de ECM e ECCM melhorados; 
  • Sistema de diagnóstico e teste dos suportes externos de armamento (OAPT); 
  • Sistema de apoio ao planeamento das missões (AFMSS); 
  • Sistema de visualização electro-óptico; 
  • Programa de integração de armas avançadas (JDAM, WCMD, JSOW, JASSM); 
  • Sistema de visão noturna compatível com o assento ejectável; 
  • Gravados padrão de registo dos factores de carga (força gravítica); 
  • Atualização de meia vida dos aviónicos; 
  • Sistema defensivo de ECM ALR-20; 
  • Sistema de monitorização da temperatura do combustível; 
  • Óculos de Visão noturna panorâmicos; 
  • Sistema avançado anti-infravermelhos (flares); 
  • Sistema de monitorização dos motores em tempo real; 
  • Sistema de recolha e gravação de dados em circuito fechado; 
  • Radar de aquisição de alvos de alta precisão; 
  • Substituição dos motores Pratt & Whitney TF33; 
  • Sistema de proteção auto-letal; 
  • Modernização do cockpit que inclui um sistema de iluminação, compatível com visão noturna; 
  • Sistema de encriptação de comunicações,KY-58; 
  • Sistema de gravação vídeo aerotransportado (AVTR); 
  • Altímetro adicional de pressão no cockpit; 
  • Sistema melhorado de gestão de bombardeamento; 
  • Novo sistema de contra-medidas e actualização do sistema de apoio aos dispensadores de Chaff e Flare ( Chaff - engodo para mísseis orientados por radar. Flare - engodo para mísseis orientados por fontes de calor (radiação infravermelha). 
O B-52 não voa como um caça, também não o faz como se fosse um "camião", ele voa à sua própria maneira, mais impecavelmente do que se possa imaginar para uma aeronave com um peso máximo de 200000 Kg e velocidade próxima da barreira do som. É um verdadeiro avião para pilotos, exige competência e rigor conjuntamente com uma ínfima parte de loucura. Faz o que é suposto fazer, desde voar só, até ao voo em formação com um reabastecedor, ou tarefas especializadas como transportar e lançar aeronaves de pesquisa, faz o seu trabalho e fá-lo há muito tempo. 

Durante o período da chamada guerra fria, desempenhou um papel de extrema relevância na dissuasão nuclear dos Estados Unidos, mantendo um contínuo estado de alerta em voo, armado com armas nucleares. 

Lançador rotativo de  misseis SRAM a ser colocado num B-52C
No inicio da década de 1960 o SAC - Strategic Air Command, manteve simultaneamente em voo 24 sobre 24 horas na situação de alerta nuclear doze B-52, procurando diminuir o tempo de resposta e salvaguardar parte da frota, na eventualidade de um ataque nuclear Soviético. Iniciado com cariz altamente secreto, foi tornado público em Março de 1962, quando já tinham sido efetuadas mais de 6 mil missões. O aumento das taxas de prontidão e eficiência dos mísseis ICBM muito próximo dos 100%, aliado ao aumento exponencial dos custos, conduziram, durante 1968, à decisão de abandonar o programa de alerta nuclear em voo. 

Desenhado e projectado para realizar bombardeamento nuclear, foi utilizado na guerra do Vietname em missões de bombardeamento maciço com armas convencionais, provando ser terrivelmente eficaz e bem sucedido. Voou 126.615 missões, lançando 2,63 milhões de toneladas de bombas ao longo dos seus oito anos de envolvimento no conflito. No auge da sua utilização no ano de 1972, chegaram a estar mais de 200 aeronaves à disposição. 

Racks da baía interna de um   B-52D
A versão inicialmente usada no conflito do sudeste asiático foi o B-52F, porém em abril de 1966 começaram a ser substituídos pelos B-52D, que tinham sido sujeitos a modificação Big Belly, otimizados para bombardeamento de alta densidade, que os habilitou a transportar no compartimento interno e nos racks externos uma carga convencional total de 31250Kg de bombas (até 108 bombas, 84 internas e 24 externas), quase mais 10000Kg que o B-52F.

A última missão de um bombardeiro B-52 aconteceu a 16 de agosto de 1973, pouco tempo após abandonaram definitivamente o Sudeste Asiático. Durante o período de operação no Vietname foram perdidos 18 B-52 sobre o Vietname do Norte, e os correspondentes 110 tripulantes dos quais 44 foram recuperados, 4 mortos, 24 capturados e 38 desaparecidos. Ainda no âmbito da sua atividade no Sudoeste Asiático foram perdidas mais 12 aeronaves devido a falhas mecânicas, más condições atmosféricas, acidente ou erro dos pilotos. 

Terminada a intervenção americana no Vietname a frota de B-52 foi reduzida até ficar apenas com os B-52G e B-52H, além de uma esquadra de B-52D que permaneceu em Guam durante alguns anos. 

B-52G a ser reabastecido por um Boeing KC-135A-Sratotanker
Entre 1990 e 1991, vinte e seis anos após o batismo de fogo na Guerra do Vietname o B-52 encontrava-se de volta, ao lado de montras tecnológicas como o F-117 Nighthawk ou o F-15E Strike Eagle, a realizar os primeiros bombardeamentos convencionais depois de 1973, para os quais as suas tripulações estavam muito bem preparadas, devido à decisão tomada em 1988 de atribuir toda a frota da variante G à função de ataque convencional, deixando em exclusivo para os B-52H as missões de índole nuclear. 

Os B-52G realizaram ao longo da campanha, aproximadamente 1620 saídas não sofrendo perdas em combate, a única deveu-se a acidente operacional. No entanto houve vários B-52G severamente danificados por SAM e artilharia antiaérea de grosso calibre, que conseguiram alcançar as suas bases e depois de reparados voltar de novo ao ativo. 

A 23 de Março de 1999, com o fracasso dos esforços diplomáticos, a NATO ordenou ataques aéreos contra alvos militares e policiais na antiga Jugoslávia e posteriormente contra alvos civis de elevado interesse económico. Os Estados Unidos participaram com oito bombardeiros B-52H (entre outras aeronaves), previamente deslocados para a base aérea de Fairfordno Reino Unido, de onde operaram durante toda a campanha. Inicialmente usando mísseis de cruzeiro contra alvos da defesa aérea e após conquistada a superioridade aérea, com bombas convencionais de queda livre e alto explosivo. A operação designada Forças Aliadas pela NATO, terminou a 10 de Junho de 1999 e os B-52H após cumprirem 270 missões regressaram às suas bases de origem nos Estados Unidos. 

B-52H ao lado de um moderno B-2
Posteriormente ainda antes da Invasão do Iraque em 2003, e em resposta às diversas provocações de Saddam Hussein, a zona de exclusão aérea imposta após a Operação tempestade no deserto foi alargada para muito perto da zona limítrofe de Bagdade, pelo que foi necessário eliminar tudo o que fosse considerado uma ameaça à supremacia aérea da USAF. A 13 de Setembro de 1996 dois B-52H fizeram a sua estreia na zona do golfo Pérsico, participando no esforço de eliminação das ameaças, com o lançamento de 13 mísseis de cruzeiro AGM-86C, versão que tinha sido recentemente introduzida e que é orientado por coordenadas GPS. Dois anos mais tarde uma nova incursão no âmbito da Operação Desert Fox, forças dos Estados Unidos apoiadas pelos Britânicos bombardearam durante quatro dias posições Iraquianas, os B-52H foram mais uma vez utilizados lançando 90 mísseis AGM-86C. 

Em 2001 e 2002 no Afeganistão, realizaram ataques de precisão, com bombas orientadas por GPS operando a partir da base Britânica na ilha de Diego Garcia no oceano Índico.

Durante a invasão do Iraque em 2003 na sua fase inicial em apoio das forças terrestres, providenciaram ataques de precisão a grande altitude, possibilitados pela inclusão do designador laser de origem Israelita e produzido pela Northrop Grumman, Litening II. 

Após mais de cinco décadas de serviço na linha da frente a extraordinária longevidade do B-52, irá ser prolongada de acordo com os planos da USAF até 2040, e para que tal aconteça as unidades ainda operacionais começaram a ser submetidas a um programa de reformas e extensão de vida útil. 

Entre as atuais tripulações, maioritariamente mais novas que as aeronaves que tripulam, é usual ouvir dizer-se que ainda não nasceu o último piloto que assumirá os seus comandos.


DESENHOS
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PERFIL
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FONTES
VER TAMBÉM
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Poder aéreo estratégico: Boeing B-52





Mikoyan-Gurevich MiG-19 Farmer

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O MiG-19 (Farmer na designação NATO), foi o último descendente da família de caças derivados do MIG 15. Foi o primeiro caça supersónico operacional da URSS, mas seria o menos proeminente da família, tendo uma vida relativamente curta ao serviço da VVS Voyenno-Vozdushnye Sily (Força Aérea Soviética). Apesar disso foi entusiasticamente adotado pela força aérea chinesa, (Força Aérea do Exército de Libertação Popular) para a qual foi produzido localmente como Shenyang J-6, entre 1958 e 1981. Atualmente continua em operação em algumas forças aéreas entre as quais a Norte Coreana que mantém o maior numero de unidades no efetivo (97 em 2014)
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Ano
1954
Pais de Origem
URSS
Função
Caça intercetor
Variante
MiG-19S
Tripulação
1
Motor
2 x turboreatores  Tumansky RD-9B
Peso (Kg)
Vazio
5172
Máximo
8662

Dimensões (m)
Comprimento
12,54
Envergadura
9
Altura
3,88

Performance (Km)
Velocidade Máxima
1452
Teto Máximo
15600
Raio de ação
1390 (2200 com tanques externos)
Armamento
3 x canhões Nudelman-Rikhter NR-30 de 30 mm
Bombas:
2 x 250 kg
2 x pods de foguetes FFAR
Países operadores

Fontes
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GALERIA
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MiG-19S
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MiG-19PM
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Avia 105S
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Shenyang F-6 da FA Albânia (2006)
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Shenyang F-6 da FA Paquistão
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Shenyang J-6
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HISTÓRIA
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O MiG-19 (Farmer na designação NATO), foi o último descendente da família de caças derivados do MIG 15. Foi o primeiro caça supersónico operacional da URSS, mas seria o menos proeminente da família, tendo uma vida relativamente curta ao serviço da VVS Voyenno-Vozdushnye Sily (Força Aérea Soviética). Apesar disso foi entusiasticamente adotado pela força aérea chinesa, (Força Aérea do Exército de Libertação Popular) para a qual foi produzido localmente como Shenyang J-6, entre 1958 e 1981. Atualmente continua em operação em algumas forças aéreas entre as quais a Norte Coreana que mantém o maior numero de unidades no efetivo (97 em 2014) 

Estava o MiG-17, ainda a iniciar o serviço operacional quando o gabinete de projetos Mikoyan Gurevich-OKB começou a trabalhar numa próxima geração de caças capazes de atingir Mach 1 em voo nivelado. 

I-360
Em 20 de Abril de 1951, o Mikoyan Gurevich-OKB recebeu ordem para desenvolver a partir do MiG-17 um novo caça, alimentado por dois motores Mikulin AM-5 sem pós-combustão, que deveria ser capaz de atingir Mach 1 em voo nivelado, subir até 10.000 metros em 2,9 minutos, e ter um teto de serviço não inferior a 17.500 metros. 

A primeira aeronave de desenvolvimento, internamente designada I-340/SM-1, concebida em torno da fuselagem do protótipo do MiG-17, modificada para receber dois motores num arranjo lado-a-lado, ficou concluído em março 1952. 

Porém o I-340 sofria de má pressurização cockpit e os motores eram, no mínimo, temperamentais, com frequentes “flameouts” e rápidas acelerações sem movimentos do acelerador. Os motores foram por isso atualizados para o padrão AM-5A com os quais foi possível atingir Mach 1,03 (1,193 km). Porém este desempenho foi considerado insuficiente para o novo caça supersónico de combate e consequentemente foi proposto a adoção do motor AM-5F com pós combustão (embora não tivesse sido aplicado, o AM-5F serviria de base para o Tumansky RD-9 , que alimentaria as posteriores aeronaves de produção). 

Seguindo o pedido governamental, o desenvolvimento continuou para um novo protótipo, o I-360/SM-2, que mantinha o conceito de bimotor, mas iria recupera as asas enflechadas num ângulo próximo de 60 graus do projeto I-350 que fora abandonado em 1951. 

O I-360/SM-2, construído em 1952, tinha uma fuselagem mais cumprida (1,6 metros), a envergadura reduzida para 9,04 metros, um peso aumentado para 6.802 kg, e uma nova asa em flecha num ângulo de 55 graus. Como armamento, dispunha de dois canhões Nudelman N-37D de 37mm  colocados nas raízes das asas para abrir espaço no nariz para um radar.
SM-9/1

O cockpit e o trem de aterragem foram redesenhados, tal como a empenagem, com uma configuração em “T”, era altamente enflechada, com estabilizadores horizontais e lemes convencionais. 

Em abril de 1952, o I-360/SM-2 foi enviado para o Letno-Issledovatel'skiy Institut (Instituto de Pesquisa de Voo), onde voou pela primeira vez em 27 de maio 1952, tendo ficado claro que os motores AM-5A, não tinham potência suficiente para dar à aeronave a performance pretendida. 

Nos protótipos que se seguiram foram sendo introduzidas modificações cumulativas resultantes dos testes de voo realizados, que culminaram no SM-9/1 que seria efetivamente o primeiro protótipo do MiG 19. As alterações introduzidas desde o SM-2 incluíam, a adoção do novo motor Tumansky RD-9B (inicialmente designado por Mikulin AM-5B), a montagem dos estabilizadores horizontais na fuselagem (em vez da configuração em “T” inicial), a modificação das entradas de ar nos motores, e a mudança do armamento para 3 canhões Nudelman-Rikhter NR-23 de 23mm (um na raiz de cada asa e um terceiro na fuselagem). 

MiG-19S da FA da RDA
O primeiro voo deste protótipo ocorreu a 5 de janeiro de 1954, ao qual se seguiram mais 131 voos de teste e avaliação. As modificações finais consistiram na instalação de um rádio RSIU-3M "Klen", um Transponder Uzel-1 e um Radio Direction Finder SRDM-1M "Konus". 

O governo soviético ordenou o início da produção em serie no mês de fevereiro de 1954 em duas fábricas, localizadas em Gorkiy e Novosibirsk. 

Durante o ano de 1954, enquanto as fabricas eram preparadas e testadas para a produção em série o desenvolvimento continuou. Pelo menos dezoito protótipos de desenvolvimento voaram em 1954, com freios aerodinâmicos aperfeiçoados, e modificações nas carenagens em torno e entre os bocais dos jatos. O sistema de combustível com capacidade para 2170 litros na fuselagem foi inteiramente redesenhado e foram testadas várias abordagens ao ângulo de enflechamento das asas e à configuração do seu bordo de ataque, bem como melhorias aos servocomandos das superfícies de controlo. 

O protótipo SM-9/2 que seria considerado o modelo inicial de produção em serie do MiG-19 realizaria o seu voo inaugural a 16 de setembro de 1954. 

MiG-19PM
A primeira produção de aeronaves MiG-19 entregue a VVS em junho de 1955, consistia num lote de 48 aeronaves cuja apresentação pública decorreu em Tushino, com a NATO a atribuir ao MiG-19 o nome de código Farmer. 

A serie inicial do MiG-19, produzida em duralumínio, apresentava uma fuselagem de seção circular, com asas  em posição baixa, enflechadas num angulo de 55 graus. Cada uma das asas, de flaps e ailerons convencionais, dispunham de um proeminente winglet no extradorso, e na fuselagem logo atrás das asas destacavam-se dois freios aerodinâmicos. 

A empenagem era também fortemente enflechada, com o estabilizador horizontal e profundador convencionais montados na fuselagem, e uma barbatana ventral sob a cauda. 

A empenagem e a fuselagem traseira podiam ser separadas da restante aeronave para expor os dois motores Tumansky RD-9B para manutenção. 

O trem de aterragem era um triciclo convencional e a barbatana ventral dispunha de um para-choques protetor de borracha para uma situação de "over-rotation" durante a descolagem. 

MiG-19PM com 4 AAM Kaliningrad K-5
O armamento consistia em três canhões Nudelman-Rikhter NR-23 de 23 mm, um no lado direito inferior da fuselagem e dois na raiz das asas. A meio de cada asa localizava-se um suporte que podia transportar bombas, ou pods de foguetes, mas era vulgarmente utilizado para transportar um tanque externo de 760 litros de combustível. Na parte interna de cada asa podiam ainda ser instalados dois suportes adicionais para transporte de pods de foguetes não guiados. 

O piloto que se sentava num assento ejetor sob uma canópia de bolha que deslizava para a retaguarda, era protegido por uma forte blindagem. 

Os aviónicos padrão incluíam, rádio, sistema de aterragem assistida por instrumentos, bússola giroscópica, rádio localizador automático de direção (Radio Direction Finder), mira assistida por radar, recetor de alerta de radar (Radar warning receiver) Sirena-2 e transponder IFF (Identification Friend or Foe). 

O desempenho do MiG-19 era excelente, de acordo com fontes soviéticas, que alegavam que ele tinha vantagens em quase todos os aspetos sobre seu rival contemporâneo, o North American F-100 Super Sabre. 

O MiG-19SU foi uma aeronave experimental para
interceção a grande altitude com um motor de foguete
de combustível liquido auxiliar 
No entanto o entusiasmo inicial com a aeronave foi atenuado por vários problemas, o mais alarmante dos quais, herdados do MiG-15 e MiG-17, foi o perigo de implosão de tanques de combustível em pleno ar (o problema foi mais tarde identificado como sendo derivado ao sobreaquecimento de um tanque de combustível colocado sob os motores, sendo corrigido com a instalação de um escudo térmico). Por outro lado os profundadores perdiam eficácia a velocidades supersônicas e a velocidade de pouso era demasiado elevada (230 km/h) durante a qual a aeronave tendia a cabrar quando eram acionados os freios aerodinâmicos na fuselagem. 

A ausência de uma versão de instrução de dois lugares, condicionou também a transição dos pilotos que se mostravam insatisfeitos com a aeronave em resultado dos problemas que subsistiam, em parte devido à sua prematura entrada em serviço, antes dos testes terem sido concluídos e as soluções dos problemas identificados, implementadas. 

Os problemas da serie inicial do MiG-19, foram abordados no protótipo SM-9/3 que originaria o MiG-19S (Farmer-C), que substituiria a produção da versão inicial em Gorkiy e Novosibirsk a partir de junho 1956. 

Protótipo SM-12, modelo experimental de interceçao
de elevado desempenho com o nariz do MiG-21
e uma fuselagem cónica
O MiG-19S dispunha de um sistema de controle de voo aperfeiçoado com a superfície horizontal da empenagem, inteiriça (superfície horizontal inteiriça e toda móvel, sem a divisão estabilizador/profundor), sistema já introduzido no F-86E Sabre e que os engenheiros da Mikoyan-Gurevich aperfeiçoaram para o sistema de controle de voo do MiG-19S com um estabilizador integral servocomandado, semelhante ao do F-100 Super Sabre. Uma alteração que exigiu mais de mil voos experimentais em muitos aviões. Contrapesos para eliminar o “flutter” (um tipo de vibração) foram acrescidos às pontas do estabilizador (estas pequenas pontas tornar-se-iam uma característica comum em aviões soviéticos de alto desempenho), e o servomotor recebeu transmissão variável para melhor controlo longitudinal sob qualquer tempo. 

Os freios aerodinâmicos ventrais foram revistos, acrescentando-se mais um, em chapa perfurada, na barriga, além do par original, atrás das asas. 

Embora na produção inicial do MiG-19S tenham sido mantidos os três canhões NR-23, a maioria seria construída com três NR-30 30 mm muito mais potentes e devidos aos quais tiveram que ser instalados painéis brindados de aço inoxidável de ambos os lados da fuselagem, para a proteger da chama da explosão do canhão, e diversos dispositivos no cano, de modo a reduzir o poderoso recuo e dirigir sua gigantesca chama para longe da fuselagem. 

MiG-19S com misseis K-13 (AA-2 Atoll)
Apesar dos MiG-19S com os motores RD-9B satisfazerem todas as exigências da Força Aérea, produziram-se apenas cerca de mil aeronaves e também um pequeno número da MiG-19SF, com turbinas RD-9BF-1, mais potentes e com pós-combustores maiores e de melhor rendimento. Por esta altura, o tamanho permissível para os tanques de combustível externos aumentara para 1.520 litros. 

Estes motores equiparam também a versão de reconhecimento MiG-19R, na qual o canhão da fuselagem foi substituído por câmaras fotográficas. 

Por volta de 1957, a produção incluía a versão de interceção MiG-19P (Farmer-B), com o armamento reduzido para os dois canhões nas raízes das asas, mas com um radar Izumrud (código NATO “Scan Odd”) numa cúpula de prolongamento do nariz, que mais tarde foi substituído por um RP-5 Izumrud de maior alcance e maior fiabilidade. Outra modificação visivel foi a transferência do longo tubo de pitot do nariz para a ponta da asa direita. Na produção mais tardia do MiG-19P os dois canhões NR-23 foram substituídos por dois NR-30, e foram produzidas algumas sub-variantes, o MiG-19PG com um datalink Gorizont-1 que fornecia dados de estações em terra para guiar a aeronave ao alvo, e o MiG-19PM sem canhões, armado com quatro misseis ar-ar Kaliningrad K-5 (AA-1 Alkali, na nomenclatura NATO) e com um radar Izumrud PR-2U. 

Shenyang J-6
O MiG-19 nunca conseguiu obter junto da VVS e seus pilotos um bom grau de satisfação. A insatisfação com o MiG-19 em serviço na URSS parece ter sido devido à sua prematura entrada em serviço operacional. Tratava-se de uma aeronave, substancialmente avançada e de última geração para a qual os pilotos não foram devidamente preparados, em parte, devido também, à inexistência na produção soviética de uma versão de instrução de dois lugares. Sob tais circunstâncias, o MiG-19 foi sempre visto como pouco confiável e apresentando poucas vantagens quando comparado com o seu antecessor, robusto e muita mais confiável, MiG-17 que já atingira a sua maturidade, ao contrário do MiG-19. Por outro lado o MiG-21 fora desenvolvido e entrara em produção pouco tempo depois, entrando em operação antes do MiG-19 atingir a plena maturidade. Por isto na URSS o MiG-19 viu-se rapidamente ultrapassado e foi progressivamente retirado de produção sem atingir plena maturidade. Dificilmente a produção total de todas as versões na URSS terá excedido as 2.500 aeronaves. 

Apesar do abandono do MiG-19 na União Soviética a sua produção continuaria fora daquele país. 

Shenyang J-6III
A Checoslováquia construiria um reduzido numero de aeronaves MiG-19S entre 1958 e 1961 na sua fabrica em Vodochody, com a designação de Avia S-105, usadas exclusivamente pela sua força aérea, mas na China a produção do MiG-19 seria prolongada até meados dos anos 1980. 

A produção chinesa foi lentamente iniciada em 1958 inicialmente a partir de kits fornecidos pela URSS e montados na fábrica de Shenyang. 

O primeiro MiG-19 chinês que voou apenas em setembro de 1959 era fundamentalmente um intercetor MiG-19P, montado sob a designação de Shenyang J-6, sobre o qual os esforços iniciais chineses se tinham focado. A fabrica de Nanchang também trabalhou paralelamente no fabrico e montagem da versão MiG-19PM sob a designação de J-6B mas sem sucesso (este insucesso seria porém o preludio para o futuro desenvolvimento de um derivado do MiG-19, o Nanchang Q-5, Fantan na nomenclatura NATO), cuja produção em seria iniciada no final da década de 1960, sendo considerado o primeiro avião de combate de conceção verdadeiramente chinesa) . 

Shenyang JJ-6
Porém todo o esforço inicial da indústria cairia por terra quando a liderança revolucionaria chinesa numa tentativa mais retórica que objetiva quis aumentar a velocidade de desenvolvimento da China implementando o  "Grande Salto em Frente", entre 1958 e 1960. A campanha lançada por Mao Tsé-Tung, que pretendia tornar a República Popular da China uma nação desenvolvida e socialmente igualitária em tempo recorde, acelerando a coletivização do campo e a industrialização urbana, teria um efeito desastroso, com todo o tecido produtivo chinês a colapsar e a cair no caos. 

Os esforços chineses durante este período para construir as suas próprias versões do MiG-19P e MiG-19PM são obscuras, mas presume-se terem sido um completo fiasco. 

Após o colapso, em 1961 a indústria chinesa começou de novo a trabalhar numa licença de produção do MiG-19S para a fábrica Shenyang que manteria a designação de J-6. Apesar da deterioração das relações chino-soviéticas, foi possível obter o necessário apoio técnico soviético, e a produção foi lentamente iniciada. Porém em 1966 a china entraria num novo período de agitação com a implementação da "Revolução Cultural", uma campanha político-ideológica levada a cabo a partir de 1966 por Mao Tsé-tung, cujo real objetivo era neutralizar a crescente oposição que lhe faziam alguns setores menos radicais do partido, em consequência do fracasso do plano económico "Grande Salto em Frente". 

A produção do MiG-19S/J-6, sobreviveu, mas só entraria em velocidade de cruzeiro no início da década de 1970 após o enfraquecimento do movimento revolucionário. 

A FA do Paquistão foi um dos maiores compradores do
Shenyang F-6 e FT-6
Por esta altura o MiG-19S/J-6 era basicamente uma aeronave obsoleta mas os chineses não dispunham nem conhecimento nem tecnologia para produzir algo melhor e as relações com a URSS continuavam bastante frias.

Até meados de década seguinte, a Shenyang construiria cerca de 3000 aeronaves J-6, incluindo um grande número para exportação com a designação de F-6. 

Tendo atingindo a maturidade, o J-6 era considerado completamente robusto, os inúmeros problemas inicialmente revelados, herdados do MiG-19, foram sendo resolvidos durante o longo período de produção através da experiência. A produção incluiu diversas variantes. 

O Shenyang J-6A foi a designação da produção inicial após o longo período de agitação da China, iniciada com as novas linhas de montagem a operar a partir de final da década de 1960. Similar ao intercetor MiG-19P, com radar e capacidade de operar em qualquer condição atmosférica, armado com três canhões NR-30 de 30mm (exportado como F-6A). 

Um dos 44 J-6 fornecidos à FA do Vietname do Norte em 1968
O J-6C, seria a produção tardia da versão base, similar ao MiG-19S/J-6 mas em que o para-quedas foi mudado de baixo da cauda para uma distintiva carenagem sob o aileron, presumivelmente, juntamente com algumas outras mudanças menores. 

O JZ-6, uma versão de reconhecimento sem armamento e com câmaras montadas na fuselagem frontal. 

Uma versão avançada, denominada J-6III, dispunha de motores revistos e com um novo desenho das entradas de ar, as quais foi adicionado um cone de choque, e asas mais curtas para melhorar a capacidade de manobra. 

A variante chinesa mais distinta seria no entanto a JJ-6 (exportada como FT-6), uma versão de instrução com dois lugares em tandem derivada do J-6C. Esta foi efetivamente uma construção totalmente chinesa, pois nunca foi construído qualquer MiG-19UTI na União Soviética. A fuselagem teve um comprimento aumentado em 84 cm para a frente das asas para acomodar o duplo cockpit em tandem. Os canhões da raiz das asas foram removidos mantendo apenas o da fuselagem, e a barbatana ventral foi substituída por duas. 

O JJ-6 parece ser o resultado de um reconhecimento tardio (talvez posterior ao início dos anos 70) de que a adaptação dos pilotos ao J-6 não era tão simples como parecia no início. Embora fosse uma aeronave fácil de pilotar, com notável aceleração e manobrabilidade a altitude média, o seu manejo e sua estabilidade a baixa velocidade eram críticos, e potencialmente fatais para um piloto inexperiente.
Shenyang JJ-6  (FT-6)

O Paquistão adquiriu um grande numero de F-6 e FT-6 até a década de 1980, mas procedeu com ajuda chinesa ao seu recondicionamento. Os Shenyang paquistaneses foram equipados com assentos ejetáveis Martin Baker Mark 10L zero-zero (uma grande melhoria de segurança comparativamente ao homólogos chineses), foram adaptados com aviónicos de origem ocidental e capacitados para disparar misseis AIM-9 Sidewinder de construção americana, que lhes permitiram manter a operacionalidade ate 2002. 

Com relação à manutenção, o J-6 é um avião simples de manter e bastante rubusto. Apesar disso, exigia uma revisão geral a cada seiscentas horas de voo (metade do tempo exigido pelo infinitamente mais sofisticado Panavia Tornado) e o motor RD-9BF-811 (conhecido na China como Shenyang Wopen-6) tinha de ser revisto a cada cem horas (contra as seiscentas do Turbo-Union RB199 do Tornado). 

Aproximadamente 5500 MiG-19 de todas as versões foram produzidas, na URSS, Checoslováquia (como a Avia S-105), e República Popular da China (como a Shenyang J-6 ). A aeronave esteve ao serviço operacional de inúmeras forças aérea de outros países, incluindo Cuba , Vietname do Norte , Iraque, Egito, Síria, Moçambique, Paquistão e Coréia do Norte, e entrou em combate em vários conflitos nomeadamente na Guerra do Vietname, na Guerra dos Seis Dias , na Guerra do Yom Kippur, na Guerra de Independência de Bangladesh, entre outros, ocorridos durante o período da guerra fria. 

O J-6 permaneceu ao serviço operacional da Força Aérea do Exército de Libertação Chinesa até 1992 e os JJ-6 até mais tarde e em 2014, aeronaves MiG-19 de construção Russa permaneciam ainda ao serviço operacional das forças aéreas da Coreia do Norte e da Zâmbia.
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EM PORTUGAL
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DESENHOS
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PERFIL
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FONTES
VER TAMBÉM
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